Category: Textos avulsos


Leonardo percorria a pé a rua estreita, como sempre, como todos os dias. O sol amanhecia obliquamente sobre a sua boina ajeitada ao lado e a sacola a tiracolo. Conhecia já de cor a trajeto das missivas, o fluxo e refluxo das palavras escritas enquanto marcava o passo certo e compassado no empedrado irregular da calçada.
Conhecia pelo nome e até pela alcunha todos quantos viviam nas suas ruas e pracetas e era com um forte sentido de missão que religiosamente cumpria o seu dever.
Com o volver dos anos havia cada vez menos correspondência. Havia agora os emails, as SMS, os telemóveis e os tablets, já pouco as pessoas se escreviam ritualisticamente até ao colar do selo, escasseavam os postais e os telegramas mas sobejavam ainda as contas e as encomendas.
Leonardo perguntava-se até quando as pessoas escreveriam umas às outras. Ele nunca tinha recebido cartas – entregues por outro, entenda-se -, recolhia-as sempre no posto e adivinhava que a sua diminuta caixa de correio era, há já uns anos, o lar de uma lagartixa e da sua prole. Via-a às vezes esgueirar-se, com a cabecita de fora, na hora da caça.
Mesmo o seu filho já preferia o telefone, embora esse meio mais rápido não fizesse com que comunicassem mais ou partilhassem esses instantes que dantes o tempo imortalizava em letra negra sobre papel branco. Vivia tempos de grande mudança, de velocidade vertiginosa em que não se vivia mais ou melhor por se viver depressa, mas não receava por isso tornar-se obsoleto, um dinossauro. O seu mundo era este, o das cartas que ainda se escrevem, os amores escondidos e as saudades dos filhos que foram para longe.
Leonardo não contava com a decisão de encerrar o posto que veio nesse verão, o volume de trabalho deixou de justificar ter dois carteiros e a Rosália e a Jacinta revezadas ao balcão. Chamavam-lhe decisão de gestão, mas o certo era que o serviço passaria a ser assegurado pelos correios mais próximos e um estafeta de mota, que não conhecia, garantiria o seu serviço. Propuseram-lhe a reforma e, Leonardo, como um sonho e sem saber muito bem ao que ia, aceitou. Não tinham outras tarefas para lhe dar e seria uma forma de gozar ainda alguns anos de via calma. Mas as cartas eram a sua vida, intercaladas com as conversas à janela com as pessoas que há anos preenchiam os seus dias. Não sabia fazer outra coisa e era bom naquilo que fazia, mas aceitou este refluxo da vida como uma coisa natural. Passou a dedicar-se ao seu quintal, a embelezar os canteiros, a deixar-se enlevar pelas estações, pelo ciclo de plantar, crescer e colher. Era uma vida calma, que não lhe desagradava, e foi esquecendo as cartas mas nunca o percurso das suas ruas, cada pedra, cada esquina, cada janela e mesmo o rebrilhar exato da luz nas esquinas das casas. Guardava tudo isso marcado na memória, tal como agora a vida da terra lhe marcava as mãos calejadas de sol. Era feliz assim também.
Uma tarde, quando bebia água ao pé do poço, a enxada descansando à sombra de uma pereira, ouviu chamar:
– Oh tio Leonardo!
Foi ver quem era. Um rapaz dos seus vinte anos, fardado, sorria-lhe do outro lado do portão.
– Uma carta para si. – Disse.
Uma carta? – Pensou Leonardo – Quem lhe escreveria?
– Já vou. – Respondeu. E apressou o passo.
O rapaz não descera da mota e olhava gulosamente as suas abóboras. Leonardo ofereceu-lhe uma mas o rapaz disse que não. Agradeceu, entregou-lhe a carta e despediu-se à pressa com um até breve acelerando rua fora como se levasse o diabo no encalço numa chinfrineira de rateres.
Leonardo sentou-se à sombra, tirou o boné e coçou a cabeça. Abriu a carta e leu:
“Meu querido pai,
No dia 26 de maio nasceu o João. Ele e a Rita estão bem e já estão em casa. Enviamos-te fotografias para que possas conhecer o teu neto.
Com muito amor,
Luís”
O filho sempre fora de poucas palavras e Leonardo percebeu que de novo o ciclo da vida recomeçava. Era agora avô.
Deixou a enxada pousada junto ao poço, agarrou na sacola dos correios e atirou lá para dentro umas mudas de roupa. Pelas suas contas, o próximo autocarro para a cidade partia daqui a vinte minutos e se não apanhasse este teria de espera pelo primeiro da manhã seguinte.
Não telefonou a avisar, ia à aventura entregar ao filho e ao neto uma encomenda que há muito tinha guardada no coração.
Ana Brilha

Quando abri os olhos, às seis da manhã de um domingo, sem motivo aparente, o meu primeiro pensamento foi para ti.

No entanto passaram-se sete anos desde que saíste da minha vida, sete longos anos de silêncio em que não pensei em ti.

O meu coração disparou numa correria insistente. Não houve nada que me fizesse lembrar, nada. Mas o certo é que ouvi o meu coração falar, talvez porque há tanto tempo ele estivesse adormecido. Desde então redescobri a fragilidade que tive outrora e descobri porque antes me transformei em pedra e ergui um muro entre mim e os outros.

Alguém um dia me disse que estranhava eu ser uma pessoa que sentia as coisas com tanta intensidade, porque a imagem que guardava de mim era a de uma pessoa racional e contida. E eu respondi-lhe que não fui sempre assim.

Os animais são, por natureza, curiosos. Aproximam-se das pessoas porque nunca as viram antes, mas basta que uma delas erga a mão para o agredir que, a partir daí, verão violência em todos os gestos humanos.

Assim fui eu, que outrora me aproximei da faca que viria a ferir-me, da pessoa a quem jurei amar para sempre quando todos nós sabemos que se as histórias nunca contam o que se passou depois é porque não merece dessa parte guardar memória.

Pois eu, ao contrário do que julgava, guardei memória. Guardei-te na memória.

A forma como me olhavas, com um misto de ternura e admiração, ficou-me gravada no cérebro. Bebias-me as palavras, os gestos, a expressão das mãos.

Que pessoa era eu quando tudo isso se passou?

Não certamente a que sou hoje.

Desde então tudo em mim se tornou pedra, a alma, os olhos e os sentimentos. Tornaram-se em pedra as lágrimas, tornaram-se em pedra as minhas mãos.

E o meu coração deixou de bater.

Talvez o que te tenha feito aproximar de mim tenha sido exatamente o sentires a centelha de inquietação que em mim vivia latente. A forma como olhava o mundo, como questionava tudo, sempre, da forma mais racional ou emotiva consoante as circunstâncias e os assuntos. Mas independentemente do que te fez aproximar, certo é que me procuraste um dia, com as tuas próprias inquietações.

Saíste do teu cubículo, depois de desligares uma chamada e bateste à porta.

– Posso?

– Entra. – Respondi, distraída, sem tirar os olhos do monitor, como se fosses uma mosca insistente que eu enxotava.

– Como é que consegues sorrir depois de saíres daqui todos os dias?

Atónita com a pergunta, estaquei. A mão suspensa sobre o teclado como se tivesse acabado de levar com uma bola em cheio no peito.

– Como? Não percebo.

– Como é que lidar com pessoas irritadas e irritantes não te faz ficar deprimida?

– Aprendemos a bloquear essas coisas do lado de fora. É uma questão de auto-preservação. Enlouquecíamos se não criássemos uma carapaça com essas coisas. Ao fim de uns meses aprendemos mecanismos alternativos a entrar em guerra aberta com as pessoas.

– Ás vezes julgo que não vou chegar ao final do dia.

– É uma questão de tempo, vais aprender a não sentir, acredita em mim.

Aparentemente satisfeito com a resposta, fechaste a porta e voltaste para o teu cubículo.

Da minha sala ouvia-te falar com mais um cliente a apresentar a sua indignada reclamação. A voz parecia mais calma, mas não forçosamente mais serena ou conformada, e se eu quisesse saber exatamente o que te ia na alma teria de saber a forma como olhavas pela janela, quem sabe a tentar beber a nesga de céu que conseguias vislumbrar por entre os prédios de dez andares que se erguiam à tua volta.

Às vezes ficavas muito quieto, parado a meio de uma frase e inevitavelmente os teus olhos procuravam a janela.

Não sei em que pensavas, ou se procuravas inspiração ou a liberdade, mas o trabalho ficava a meio nesses teus devaneios de sonhador.

Eras estranho, pouco conformado para a idade, rebelde ao ponto de não ser inconsciente mas livre como nunca conheci outro ser depois de ti. E o mais estranho dessa tua liberdade era que o teu corpo estava presente, mas o teu pensamento estava num qualquer outro lugar remoto e indecifrável.

Desde o início que senti no teu olhar um constante questionamento perante a vida e sobre tudo quanto te sucedia. Dizias, a brincar, que eras um aprendiz de feiticeiro e que a arte que aprendias era a vida.

Não sei se mais ou menos a sério, repetias essa frase sempre que algum obstáculo atravessava o teu caminho e era com esse sorriso constante perante a adversidade que ias indo pela vida, vivendo um dia de cada vez. Tinhas sempre uma frase emblemática, um pensamento profundo, uma filosofia subjacente em cada gesto, como se o quotidiano fosse uma aprendizagem, um eterno retorno à liberdade.

Não sei se, apesar do teu sorriso, eras feliz.

Por vezes via-te olhar pela janela com ar nostálgico quando, pela trigésima vez anotavas a não conformidade do produto A, B, ou C e, com um sorriso na voz, explicavas ao cliente do outro lado da linha que a reclamação seria encaminhada para o departamento de pós-venda.

Um dia, à hora do almoço, disseste-me que tinhas tirado jornalismo mas que nunca tinhas trabalhado na área. Na faculdade geralmente escolhia-se com o coração. Talvez fosse o último momento da vida em que nos permitíamos a nós próprios ser crianças, cometer umas quantas loucuras ou irresponsabilidades e, definitivamente, escolher todas as nossas escolhas com o coração.

Como muitas outras coisas que concluíras, também isso tinha ficado pela metade. Findo o curso, o estágio, começaram a fechar-se portas e a abrirem-se janelas cada vez mais estreitas, e concluíras que passamos a primeira metade da vida a ansiar pela segunda e a outra metade a sentir saudades da primeira, quando não tem forçosamente de ser assim.

Não era este emprego que te definia, apesar da quantidade de horas que lhe dedicavas, havia sempre tempo para pintar ou escrever.

Tinhas feito várias exposições mas nunca venderas um só quadro.

– Não me conseguia desfazer deles… – Desculpavas-te – e marcava-os a preços tão exorbitantes que acabaram quase todos na minha garagem. Alguns ofereci à pessoa que me inspirou, outros queimei-os porque os queria esquecer, mas em todos eles deixei muito de mim.

Contavas-me tudo isto menos em tom de desabafo do que de ensinamento, como se com a tua experiência me quisesses transmitir que muitas possibilidades se abrem à nossa frente em tudo quanto fazemos e que, por fim, é sempre nossa a escolha quer gostemos ou não das consequências.

No fundo, somos nós os responsáveis dos nossos atos e não uma qualquer conjuntura ou conjunção de acasos.

Passamos pela vida a tomar decisões sobre tudo, mesmo quando não nos apercebemos que o fazemos.

Não sei da maioria das decisões que tomaste e, sobretudo, das que sei, não compreendo nenhuma.

Gostava de te ter amado desde o início e a essa tua forma distante e profunda de ver o mundo. Gostava que tivesses feito alguma coisa para transpor a barreira de proteção que cada ser humano leva consigo. Se um de nós tivesse estendido a mão, talvez tudo tivesse sido diferente. Mas eu nunca te falei sem ser por meias palavras, sempre receando, sempre questionando.

Tinha lutado toda a vida para esquecer o que ficara para trás, para erguer muros, para ser forte e intocável e agora, que o conseguira, não estava bem certa de que isso fosse correto.

Sem o dar conta, os dias começaram a tornar-se pesados, crescia em mim a inquietação de ir, fosse para onde fosse. Não bastava uma viagem, um fim-de-semana, um plano de fuga temporária. Martelava-me o cérebro a ideia de mudança desde o instante em que percebera que algo faltava à minha vida e, no fundo de mim, sentia que essa mudança estava, algures que não ali, ao alcance da mão.

Talvez tenha sido esta a única mensagem que estavas destinado a trazer-me: a de que é preciso acreditar, a de que é possível mudar e, sobretudo, que não devemos desistir de nós e de procurar a nossa felicidade.

Quando te reencontrei, sete anos depois, tudo o que me trouxeste inundou de repente o meu peito.

A pessoa que fui, a barragem que diligentemente foste ultrapassando, a mensagem de liberdade e consciência. Descobri que me tinhas tornado uma pessoa diferente e eu não era mais pedra.

Tinha aprendido a escutar o som da água que corre nas artérias da cidade, as folhas que ondulam ao vento, as plantas que nascem no momento certo por entre o empedrado das ruas e o teu riso incendiou-se ao ver-me.

O teu riso é a coisa mais sincera que alguma vez ouvi. Talvez por ser tão raro, por ser tão inesperado.

Quando ris, parece que tudo à tua volta ri contigo, que de repente as pequenas coisas fazem sentido. A tua alegria, o teu riso, é como a alegria dos pássaros nos beirais dos telhados quando chega a Primavera.

E o meu coração bateu pela última vez.

Entrou em mim a tua liberdade, quis abrir os braços, receber esse silêncio onde cabem todas as coisas e tudo se inicia.

Foi um instante.

Deixo-te ir, se quiseres. Abro timidamente as mãos como uma criança que solta uma borboleta.

E tu abraçaste-me, genuinamente feliz pelo acaso que nos fez estar, à mesma hora, na mesma paragem de autocarro.

Como se antes tivesse morrido, ouvi o meu coração bater novamente e soube que estava viva. É sempre possível recomeçar, pensei, é sempre tempo de nos deixarmos embalar pelo luar e crer, com todas as nossas forças, que vale a pena, construir sem medos de que venha uma onda e deite o nosso castelo de areia por terra. Não é a vida uma sucessão de marés?

A cavalgada desenfreada do meu coração era nova e espontânea e eu quis que a vida fosse mais do que uma sucessão de dias e noites vazias em que as mesmas questões me queimavam os lábios. Tu não eras a resposta, mas eras questões novas, diferentes, que me faziam olhar para dentro de mim e tentar dar a isto tudo um motivo que transcendesse o mero existir.

A transcendência do quotidiano é o amor, foste tu que me ensinaste isso. Por isso continuamos a par, a crescer em conjunto, a ter dúvidas em conjunto e, juntos, a procurarmos o sentido.

S. D.

Ana Brilha

Que desilusão, meu irmão, quando te alimentas de escândalos em vez de alçares aos céus as asas com que nasceste. Quando o pão de cada dia basta para te embrutecer o espírito e te espojas na desgraça alheia.
A morte não tem graça, o desespero, um grito de ajuda, não é alvo de chacota.
Não há bem mais sagrado ou misterioso do que a vida, que nasce de uma conjuntura que escapa ao nosso controlo e se mantém por caminhos enigmáticos. Um ser que vive é todo um microcosmos de emoções complexas e inadiáveis, insondáveis até para os seus criadores.
Essa centelha que nos transcende de barro em catedral, de poeira passageira em perene memória e faz poesia dos passos no caminho.
O que nos distingue, uns e outros, é esse estender de asas para o alto, essa vontade de transcender a mesquinhez do quotidiano sem profundidade, Ser, em cada bater do coração, um fio de sentido nisto tudo e fazer com que valha a pena.
Tem – e digo-o com alegria – ainda tem 23 anos. No fim desta noite, a família vai abrir-lhe os braços e chorar de alegria e tristeza por o ter regressado da guerra mas também por não ter percebido esse grito, esse espantoso grito de solidão e desespero que nos merece todo o respeito.
Vai haver um amanhã para ti, uma nova oportunidade de rires, de amares, de ir à luta, caíres e ergueres-te as vezes que forem precisas e, no fim, tudo ter valido a pena.
Somos frágeis, imensamente frágeis, vidro cristalino tecido pelos deuses.
É assim tão difícil olhar o outro lado? Perceber que dar a mão não é o mesmo que ironizar como hienas passivas?
A vida passa-vos, oh mentes pequenas, mas a semente que o vento semeia em vós é nenhuma. Não falam a língua do tempo, não são capazes de um gesto de compaixão desinteressada.
Para mim basta-me esta certeza: para ti, meu irmão, há uma amanhã. E esse amanhã traz em si a semente de toda a esperança.
 
Ana Brilha
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Às vezes faz-nos bem olhar para trás, pôr as coisas em perspetiva.
 
Naquele entardecer, o sol incidia sobre a pedra branca do capitel, polida pelo trabalho de outros que já partiram, e senti-me como o filho retornado à casa paterna.
 
Quantos anos se passaram? Treze? Assim tantos?
 
Questiono-me o que fiz entretanto e o que será que me distancia ou aproxima da pessoa que cruzava diariamente esses corredores envidraçados que amplificavam a luz.
 
Talvez viesse a ser julgada pelas decisões do entretanto ou talvez não. Mas se o fosse sempre estaria em paz com a minha consciência. Treze anos me distanciavam dessa outra que fui, mas vinte anos me separavam da pessoa que escreveu as primeiras linhas de um livro que, não o sabia, havia de ser o primeiro de outros.
 
Também cruzava corredores nessa altura, mas eram diferentes. A luz escoava-se por vidros mais pequenos e eu fechava-me entre as páginas de um livro de capa antiga nas escadas para outro patamar. Lá fora ouvia risos e conversas, mas todo o meu universo era um tanto mais silencioso e mais vasto.
 
Quanto maior a distância, maior dificuldade sinto em lembrar e em me identificar com o que sentiam ou pensavam esses “eus” de outrora. Releio as páginas desse livro que foi o primeiro e descubro-me, antevejo algo de menos superficial.
 
Pergunto-me o que quis dizer, onde fui buscar inspiração e não me lembro. Será essa que escreveu aquela que hoje lê?
 
Ao longo deste vinte anos a verdade é que sempre foi o mesmo livro, as palavras impressas não me deixam margem para dúvidas, a minha perceção sobre ele é que foi mudando ao longo do tempo.
 
Serei hoje a mesma pessoa que manuscreveu aquelas linhas em meticulosos cadernos pretos, numa letra ainda adolescente? E se sou, porque é que a memória é tão fragmentada?
 
É estranho como nessa altura tinha tantas certezas e agora, afinal, cada vez tenho mais perguntas. Dir-se-ia que deveria ser ao contrário. Se vou conseguir respondê-las, isso, só talvez daqui a outros trinta anos vos poderei contar.
 
Ana Brilha